Quarta-feira, 31 de Maio de 2006

História de Um Rapaz Alentejano

Em 1940 em pleno Alentejo, num dia de Julho pelas 13.00 horas nasceu um rapaz, irmão de três outros rapazes e uma rapariga, todos mais velhos. Todos filhos dos mesmos pais como se usava antigamente.
Este filho mais novo, foi o único que tirou a 4ª Classe. Os mais velhos, tiveram que tratar da vida mais cedo, tinham que ajudar os pais a criar os mais novos, (havia trabalho infantil) pois naquele tempo não havia vagar para ir à escola e brincar.
Trabalhava-se logo de pequenos. Faziam-se homens responsáveis muito novos, pois não havia lugar para muitas coisas que os miúdos gostam de fazer. Não havia televisão, nem aparelhagens, rádio e muito menos computadores equipados com todas as tecnologias de hoje.
Como disse esse rapaz franzino, humilde e tímido tirou a 4ª classe e ficou lá pelo Alentejo, estudando e ajudando os pais na lida da vida cuidando dos animais que existiam numa pequena Quinta que seriam o sustento da família com a venda do leite, que, só quando sobrava, nós tínhamos direito de nos saciarmos, algumas vezes com fartura.
Apesar das dificuldades este foi o menino mais mimado. Quando tirou a 4ª Classe, a mana mais velha que tinha casado e seguido a vida dela, tentou levar o rapazito mais novo para a sua casa, para lhe dar uma oportunidade e uma vida melhor, que ela não tivera nem os outros irmãos mais velhos.
Para continuar os estudos e tirar um curso médio, sempre teria mais facilidade na aprendizagem de uma profissão, que na altura era muito difícil e muito mais difícil sem canudo. Os pais que tinham criado todos os filhos com muito amor e carinho, ficaram abalados com a saída da filha mais velha, que ao casar partiu para muito longe da família e da terra, opuseram-se a que saísse mais um filho para longe do ninho.
“Tem continuação”
Horácio Trugeira
publicado por blogue-da-usal às 15:11
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Felizmente havia luar

FELIZMENTE HAVIA LUAR
 
 
 
       O    O mundo do João estruturou-se, tal como o das outras crianças da sua aldeia, de acordo com o que foi ouvindo e vendo (influências do meio).
     Naquele tempo – referimo-nos aos anos 30-40 – e no meio rural, as pessoas conversavam, sobretudo, sobre aspectos do misticismo popular. Falava-se muito de bruxas e feiticeiras. Dizia-se que se reuniam duas vezes por semana, nas noites de quartas e sextas-feiras.
Mas, não havia só bruxas, havia também lobisomens (transformação do homem em lobo, bode, burro, cavalo, etc.), conversava-se sobre a mula sem cabeça e, ainda mais arrepiante, aquela história clássica: alguém tinha visto uma porca com uma ninhada de pintos ou, então, uma galinha acompanhada por uma ninhada de leitões! As almas penadas esvoaçavam durante a noite e havia locais específicos onde, habitualmente, eram vistos tais fenómenos.
As bruxas reuniam-se nas encruzilhadas das estradas, os fantasmas apareciam durante a noite e, por vezes, eram vistos a entrar nas casas através dos telhados.
Aqueles fenómenos ocorriam durante a noite, na escuridão e a horas pouco convidativas para o humano andar na rua. Havia excepções para casos de emergência ou, então, de obrigação para com as exigências da idade. Enfim, a vida era difícil e, o diabo – dizia-se – era o causador de todos aqueles males. Estava sempre à espreita de alguém menos prevenido para lhe roubar a alma.
O mundo do João, tal como o dos outros habitantes lá da aldeia, organizou-se alicerçado em fantasias que, na maioria das vezes, conseguiam arrepiar as pessoas. O medo acompanhava a imaginação!
Normalmente era ao serão, à lareira no Inverno ou, na rua ao fresco, no Verão que os adultos contavam, uns aos outros, os encontros havidos com personagens do outro mundo. O João foi crescendo e ouvindo, mas não percebeu que ouvia “coisas” que nunca eram relatadas na 1.ª pessoa.
As situações narradas aconteciam sempre a terceiros. Alguém tinha dito que em tal sítio e a tal pessoa, a determinada hora da noite, tinha acontecido alguma coisa extraordinária, sempre relacionada com Satanás!
O João ouvia, de olhos arregalados, as histórias que os adultos contavam. Muitas vinham do tempo dos avós dos narradores e, convictamente, o João foi registando aqueles conteúdos sobre a realidade que então se vivia durante a noite.
Assim, aqueles fenómenos foram ganhando forma e, claro, o João fazia a sua representação! Ele, mesmo de dia, conseguia ver os seus contornos.
O João foi crescendo e, depois, na adolescência e juventude, quando necessitava de se deslocar, durante a noite, pelo campo – sozinho ou acompanhado – ia sempre em estado de alerta para o que de estranho pudesse surgir. Era um estado propício para aceitar a situação de medo! Assim, o mais pequeno ruído provocado pelo menor movimento de qualquer ave ou animal nocturnos, era suficiente para o deixar com os pêlos em pé!
Contamos, agora – tal como o João contava – o que aconteceu naquela noite. Tinha ele cerca de quinze anos e vinha, sozinho, de um baile na aldeia que distava da sua casa – a medida era o tempo – cerca de uma hora, a pé. Para o baile, O João ia e vinha a pé porque “a pé” era o transporte mais usado naquele tempo.
Estava uma noite de lua cheia e, seriam três ou quatro horas da madrugada. A determinada altura, o João, começou a ouvir um barulho que ele descrevia como “tac, tac” – lido com (a) fechado. Segundo ele, de início tentou, sem parar, identificar a origem de tal barulho mas, não conseguiu!
Não conseguiu identificar o barulho mas, segundo dizia, percebeu que: o ritmo era sempre o mesmo; começou a ficar incomodado e, a determinada altura parou.
Aconteceu que, dizia o João, O “tac, tac”, parou também! Voltou a caminhar e lá estava, o mesmo barulho no mesmo ritmo. Parou novamente e aconteceu o mesmo! Claro que, perante aquela situação tudo o que tinha interiorizado sobre “medos” lhe veio à memória, especialmente “os medos” que constavam no roteiro daquele caminho. Naquela época todos os caminhos tinham fantasmas que provocavam medo!
Obviamente que, hoje, todos sabemos o que naquele momento se passava na cabeça do João mas, contava ele: com o passar do tempo, cada vez dava menos passos e, logo, parava! Assim, a todo o momento, parava e escutava! A determinada altura dava um passo e logo que ouvia o “tac”, parava para escutar! O seu estado de alma estava, naquela noite, a ficar muito deteriorado. Começou a sentir frio e a ficar com a pele húmida. Em síntese, segundo dizia: estava desconfortado. Isto dizia ele mas, lá na aldeia, todos se riam e comentavam: desde quando o medo se traduz, apenas, por desconforto? A situação era muito mais complexa.
Ora, numa situação como aquela, o cérebro do João começou a organizar os meios de defesa mas, pior que tudo: não conseguia identificar o fantasma! Assim não sabia como defender-se! E, como consequência, interrogava-se: defender-me de quê? Como? Se não sei a origem do “tac, tac” e também não percebo de que lado vem?
Embora envergonhado, consigo mesmo, surgiu-lhe a solução – contava ele – para sair daquela situação: o melhor seria correr e, esta hipótese começou a tomar sentido. Felizmente havia luar, caso contrário o João teria corrido até poder!
Mas, naquele anda pára, anda pára, aconteceu que numa tentativa de apurar mais a audição, o João inclinou a cabeça e, para alívio seu, o olho esquerdo viu a ponta de um cordão a cair sobre a aba do chapéu e então percebeu onde estava a causa do mau bocado que tinha passado.
Convém dizer que naquele tempo todas as pessoas cobriam a cabeça com chapéu ou boina e, para o baile, levava-se “chapéu fino”! Neste, para além da fita que circundava a copa, havia um reforço feito por uma espécie de atacador redondo e consistente que terminava com um laço (alguns chamavam-lhe aselha). Ora bem, aconteceu que, segundo contava o João, o laço se desfez e uma das pontas do cordão descaiu e começou a bater na aba do chapéu. Aí estava a origem do “tac,tac”!
Quando o João contava esta história, terminava sempre assim: imaginem qual teria sido a frequência do “tac, tac”, se naquela noite não houvesse luar! Mas as pessoas, lá da aldeia, continuavam a entreolhar-se e, em voz baixa, insinuavam: a frequência e o ritmo do “tac, tac” interessavam pouco. Importante seria saber como teriam ficado as ceroulas do João se aquela noite não fosse uma noite de luar
publicado por blogue-da-usal às 10:10
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Terça-feira, 30 de Maio de 2006

AMIGOS DA USAL E DA RUTIS

 
O LA!
 
Sou aluna da USAL de informática. Estou feliz por ter entrado neste mundo tão complexo…em primeiro lugar, quero agradecer ao Prof. Miguel que tão bem sabe aliar a sua competência ao gosto de bem ensinar.
Reconheço como é útil saber utilizar devidamente a informática, pois é um meio muito útil e riquíssimo de receber e dar informação sempre actualizada e dialogarmos uns com os outros através da Internet, sem quaisquer barreiras.
Oxalá que todos saibam aproveitar este meio maravilhoso na construção dum mundo novo mais justo onde todos saibamos dar as mãos e na fraternidade e amor construir a paz.
 
30 -5-O6
 
BENVINDA FREITAS COSTA
publicado por blogue-da-usal às 11:30
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Opinião

USAL – União Social Almeirim – Universidade Senior de Almeirim – Unidade Saúde Almeirim. Quatro letras das quais a terceira idade deste Concelho aderiu na luta pelo bem estar, tanto físico como mental ou na procura da segunda família, a verdade é que decorridos alguns anos de convivência com este título, a USAL percorreu o país no testemunho de uma boa convivência neste Concelho mostrando que aqui existe cultura bons costumes e amor pelo próximo, somos respeitados pela Europa através de outras universidades seniores com os nossos bons exemplos, podemos mostrar que nos meios não citadinos como as grandes cidades, existe o querer e acreditar na nossa força de viver.
USAL é um título de sonho, daquilo que não se conseguia, a sua bandeira com a pomba branca no meio do U é no meu ver o sinal da paz e amor.
Mas para aqueles que desenharam e propuseram terá outro significado mais valioso. No entanto há sempre quem entenda que o bem valioso para os Almeirinenses não deve de ir muito longe, estou certo que os opositores poderiam agradecer ao povo deste concelho da forma como foram recebidos neste meio social, que colocassem ideias de grandes pensadores, porque é aqui que todos vivemos e devemos fazer respeitar esta terra.
António Simões
publicado por blogue-da-usal às 11:25
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Quarta-feira, 10 de Maio de 2006

Desabafo

Em sequência dos comentários feitos às considerações sobre o funcionamento da USAL, permitam-me observar de que os mesmos foram muito mal interpretados, atendendo a que a pessoa que os fez, deturpou completamente o sentido dos mesmos.
Não querendo entrar em polémica, solícito que desculpem a sinceridade e que sejam precisamente sinceros.
 
 
Deolinda Oliveira.
publicado por blogue-da-usal às 11:23
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Encontro de Universidades

Em 06/05/07 nós alunos da USAL fomos ao encontro das Universidades de todo o Pais em Vila da Feira. Fomos muito bem recebidos pela comissão organizadora, estão de parabéns pela organização, como tudo na vida não há quem não erra. Fomos recebidos numas instalações da Euro Parque instalações de grande categoria e bom gosto. Nestas foi no servido um programa de variedades e o almoço e foi aqui que houve um pequeno incidente com o fornecimento dos cafés mas não chega para manchar o resto do bom que foi feito. Parabéns.
 
 
    Para a semana há mais.
    
       Sou Horácio Trujeira.
publicado por blogue-da-usal às 11:23
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Frequência da USAL

Valeu a pena por tantas coisas que vim encontrar .
O convívio especial com professores e colegas, a simpatia que nos é dedicada, a camaradagem que existe entre uns e outros é tudo um espetáculo saudável.
Quanto á disciplina de informática vale a pena aproveitar o ansejo de desabafar um pouco sobre isto. Apesar-de ser um assunto bastante alheio á minha vida profissional, nunca esperei ter algum exito sobre a matéria. Estou deveras contente , sinto de certo algumas dificuldades, mas com paciência e vontade espero bem de concluir algum exito.
 
Manuel Rodrigues
publicado por blogue-da-usal às 11:23
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